Senhora? Está me chamando de velha?
Estava eu em uma cafeteria, entre um gole e outro de um café maravilhoso, quando o garçom, com aquele ar polido, me chamou de “senhora”. De imediato, um frio percorreu minha espinha, e eu, que até então estava em um estado de relaxamento profundo, me vi interrompida por uma palavra tão simples, mas carregada de significados. “Senhora? Está me chamando de velha?”, pensei em dizer, mas permaneci quieta, como se aquele rótulo tivesse caído sobre mim de repente, sem que eu estivesse preparada. O garçom, sem perceber o turbilhão de pensamentos que despertara, seguiu seu trajeto com naturalidade, sem algum problema, apenas uma formalidade, um sinal de respeito, algo neutro. Mas para mim, naquele momento, pareceu um marco, uma transição para um território desconhecido. Lembro-me bem de quando o termo "senhora" era destinado à minha mãe, à minha avó, e como, de certa forma, eu associava essa palavra à sabedori...